quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Badia a Passignano - História e Vinicultura no Chianti Clássico




















A Badia a Passignano é um antigo mosteiro da Ordem Valombrosiana cuja fundação, pelo Arcebispo de Florença, remonta ao ano de 395.

A ordem Vallombrosian, um ramo reformado de monges beneditinos especializados em viticultura e silvicultura, foi fundada por São João Gualberto, cujas relíquias estão na igreja da abadia desde a sua morte em 1073.

Segundo referências históricas, os monges Vallombrosiani e a Abadia de Passignano são reconhecidos desde a Idade Média pela dedicação aos textos clássicos e à música sacra, e também por promover a investigação científica (Galileu Galilei ensinou lá em 1587).

Hoje, o monastério ainda pertence à ordem religiosa, mas os vinhedos e olivais que o circundam foram adquiridos em 1995 por Piero Antinori, o maior produtor de vinhos da Toscana e um dos mais importantes da Itália.


O acesso à Badia é fácil. Pela SR 2 (strada regionalle) o percurso é de 30 km contados do centro de Florença, em pista dupla, de mão única. Chega-se mais rápido do que pela Via Chiantigianna (SR 222), que neste trecho não apresenta ainda paisagens tão exuberantes, uma vez que nos encontramos na zona periférica (industrial) de uma grande cidade. Vale a pena, portanto, pegar a via mais rápida e chegar logo a este oásis de paz e sossego.

Desde a estrada a antiga construção já se mostra exuberante, e à medida em que nos aproximamos se pode ver as oliveiras e os imensos vinhedos, onde se produzem ótimos vinhos, entre eles o Chianti Clássico chamado Badia a Passignano e o famoso Tignanello, um dos mais importantes vinhos do Antinori .












Logo após a chegada entramos na igreja da Badia, de tempos imemoriais, perfeitamente preservada. Enquanto tirávamos nossas fotos, apareceu um gentil senhor que nos perguntou se desejávamos fazer uma visita guiada (gratuita) pelo monastério, que normalmente não é acessível ao público. Claro que aceitamos, e assim partimos para mais uma viagem no tempo!

Fachada da igreja








O antigo órgão



Iniciamos a visita ao monastério conhecendo o claustro.















Tonéis antigos, que serviam para guardar azeite e vinho.



Vimos a cozinha dos monges, com seus utensílios antigos, e passamos por corredores internos.






O simpático sr. Pascoal, que nos guiou na visita ao monastério.
Belos vitrais nas passagens internas.







Depois saímos para o jardim, e ali concluímos a visita ao monastério da Badia a Passignano, um recanto de paz e silêncio, em contraste com o burburinho de Florença, de onde acabávamos de sair.


Belo Pórtico que dá acesso ao jardim do mosteiro









a Badia vista por dentro, a partir dos jardins.














Itália - O Chianti e as estradas da Toscana

Chianti é a região da Toscana situada entre Florença e Siena. Terra de rara beleza, brinda os locais e visitantes com lindas paisagens, campos de oliveiras e vinhedos que parecem não ter fim, vilas, monastérios e abadias medievais. Entretanto, na Toscana nem tudo remete ao passado. É lá também que se encontram algumas das melhores vinícolas do mundo, além de restaurantes de renome internacional, entre outras tantas pequenas e deliciosas osterias, pérolas escondidas a serem descobertas pelos viajantes mais atentos.

O ideal é percorrer a região lentamente, sentidos abertos aos aromas, cores e gostos que se revelam em cada trecho do caminho. A melhor época varia, segundo os propósitos e preferências de cada viajante. Prefiro o outono, pela temperatura agradável e por causa das cores que a paisagem assume, além de que nessa época não se vêem por ali tantos turistas, o que facilita o deslocamento nas estradas e o acesso às belas e variadas atrações.

Mapa da região de Chianti
Há uma distinção entre Chianti e Chianti Clássico, importante sobretudo quando se fala de vinhos, porque existe grande diferença entre os produzidos na região do Chianti Clássico, que podem receber o rótulo atestando sua Denominação de Origem Controlada e Garantida. Aviso que essa é uma extrema simplificação da classificação dos vinhos de Chianti, a chamada disciplinare,  sobre a qual podemos falar depois.  O ponto essencial é o seguinte: Para que os vinhos ali produzidos possam ser denominados Chianti Clássico devem ter o mínimo de 80% da uva Sangiovese em sua composição. Essa regra rígida já foi motivo de controvérsias sérias entre os produtores locais, que acabaram dando asas à criatividade e partiram para novas formulações, novos blends ou cortes (misturas) de uvas, utilizando as uvas internacionais que deram fama sobretudo aos vinhos de Bordeaux, a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Cabernet Franc, algumas vezes em conjunto com a Sangiovese, outras não, para criar ótimos vinhos, alguns hoje muito famosos e caros, conhecidos no mercado internacional como SuperTuscans (Supertoscanos em português) ou IGT (Indicazione Geografica Tipica). Informação detalhada sobre a região e sobre a produção de vinhos se encontra em www.chianti.com, site dedicado a promover o turismo no Chianti. Boa fonte de informação é também o site do consórcio do vinho Chianti Clássico, www.chianticlassico.com

Como se trata de uma região rural, é fundamental estar "motorizado". Na minha opinião a melhor opção para explorar bem o Chianti é sair de carro de Florença e pegar a Via Chiantigianna, a SR 222 (Strada Regionale). Essa é a rodovia secundária que vai presentear o viajante com paisagens de tirar o fôlego, e vai te levar a lugares surpreendentes, dos quais, é claro, falaremos para os amigos do Tanino Doce .







Alugando carro em Florença, pode-se pegar o veículo no aeroporto, que é afastado da cidade, ou no Borgo Ognissanti, uma rua movimentada próxima à estação de trem Santa Maria Novella, onde se concentram as garagens de todas as locadoras de veículos. Por ser mais central, e portanto poupar o longo deslocamento até o aeroporto, preferi pegar o carro ali. Foi bom, porque dali até a saída da cidade é rápido e você já entra logo na SR 222, a Strada del Vino, ou Via Chiantigianna.

Pronto! agora, devidamente equipados, in machina, andiamo via! Pé na estrada rumo à Toscana profunda!


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Viajar é preciso...


 

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é, que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. (Amyr Klink, no livro Mar Sem Fim)

Essas palavras do Amir Klink,  que sintetizam o espírito desse espaço, marcam a retomada do blog após longa pausa. Retornamos, enfim, com novas histórias de viagens, e tantos bons vinhos para compartilhar impressões com os amigos leitores e comentaristas! É bom estar de volta!




quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Château Angélus: Um grande vinho



O Château Angélus é uma das mais belas propriedades da pequena região de Saint-Emilion, no sudoeste da França.  A área total do Château é de 23,4 hectares, plantados com 51% de Merlot e 47% Cabernet Franc, com apenas 2% de Cabernet Sauvignon. As vinhas têm uma idade média de 30 anos.
Patrimônio Mundial da UNESCO, graças ao seu caráter intacto e seus monumentos medievais, Saint-Emilion exibe vinhas pitorescas que se estendem em todas as direções a partir do centro da cidade velha. O solo de argila e calcário fez desta uma das mais celebradas regiões vinícolas do mundo.
O nome Angélus supostamente deriva de um vinhedo particular, onde enólogos devotos podiam ouvir o sino dos anjos badalar de todas as igrejas da cidade.
 A propriedade ganhou vida com o Conde Maurice de Boüard, em 1921, bisavô do atual proprietário. Ele também possuía outro imóvel, chamado Château Mazerat, e após a Segunda Guerra Mundial, seus filhos uniram as duas fazendas sob o nome atual. A geração seguinte assumiu sob a liderança dinâmica  de Hubert de Boüard em 1985. Hubert percebeu que o Château apresentava desempenho abaixo de seu potencial, e iniciou um sério trabalho para revitalizar a propriedade, introduzindo, entre outras melhorias, métodos de agricultura biodinâmica. Sua energia e investimento foram recompensados em 1996, quando o Château Angélus foi merecidamente promovido a Premier Grand Cru. Adicionalmente, alcançou notória projeção na mídia quando o ator Daniel Craig bebeu uma garrafa de Angelus interpretando James Bond no filme Casino Royale.
Hoje, o Chateau Angelus é um dos vinhos mais notáveis de Saint-Emilion. Rico, exótico e inebriante. Provamos esta preciosidade recentemente, safras 2008 e 2009, no Grand Tasting, um dos maiores eventos de enologia da França, do qual falamos em outro artigo. Do vinho, basta dizer que é simplesmente espetacular, e o terroir de Saint Emilion aparece em toda plenitude. Enfim, degustar um Angelus é daquelas coisas pelas quais vale a pena viver.
A quem pretende adquiri-lo, é bom saber que no Brasil uma garrafa da safra de 2008 custa em torno de R$ 1.300,00.  Em Paris, 135 Euro, no Nicolas.




Château Angelus (Grand Vin) 3% Cabernet Sauvignon, 50% Merlot, 47% Cabernet Franc, 22 meses em barricas novas de carvalho.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Radio City Christmas Spectacular e o Natal em New York



Radio City Christmas Spectacular é um tradicional espetáculo de Natal em cartaz desde 1933 no Radio City Music Hall, em New York. O teatro em si já é um belo passeio, e o show, estrelado pelas Rocketes, as famosas bailarinas do  Radio City, encanta crianças de todas as idades, combinando efeitos especiais, iluminação impecável, coreografias belíssimas, enfim, uma produção artística com o padrão de excelência dos melhores eventos da indústria de entretenimento dos Estados Unidos.





















É uma ótima opção de programa no Natal em New York, época em que as (muito) baixas temperaturas e a multidão que toma conta das ruas da Big Apple recomendam alternar passeios ao ar livre com eventos em ambientes aquecidos. Para quem viaja com crianças é imperdível, e o olhar de fascínio dos pequenos para as renas e o trenó de Santa Claus vale a viagem e o ingresso, que por sinal, varia de 45 a 250 Dólares.





















É por isso, aliás, que este artigo se justifica agora, em agosto,  há mais de quatro meses do Natal. Essa é a época de pensar em reservar o seu lugar, pois os espetáculos lotam toda temporada, e quanto mais próximo do fim do ano, se ainda tiver a sorte de encontrar ingresso, certamente serão os mais caros.



O Radio City Music Hall fica na Sexta Avenida (6th Avenue), 1260, e a entrada principal é na esquina da 6th com a 50 Street. É muito fácil de encontrar e há vários funcionários orientando os turistas no local, mas convém chegar pelo menos meia hora antes do show para retirar o seu ingresso na bilheteria. 



















Ao adquirir o ingresso pela internet você receberá um comprovante, mas deverá retirar o ingresso original na bilheteria, apresentando identidade e o mesmo cartão de crédito que usou para comprar online.
Em 2012, a temporada vai de 9 de novembro a 30 de dezembro. O site oficial é www.radiocitychristmas.com

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Le Grand Tasting: Um Festival de Vinhos no Carrossel do Louvre


Le Grand Tasting - décembre 2011
www.odolcefarniente.blogspot.com

Le Grand Tasting é  um festival de degustação de vinhos que acontece todos os meses de dezembro no Carrossel do Louvre, aquela área de lojas embaixo da grande pirâmide de vidro.
Um dos maiores eventos de enologia da França, reúne cerca de doze mil visitantes anualmente e mais de duzentos produtores, com a presença dos mais importantes, não só franceses, mas também uma seleção de italianos, espanhóis e vinhos ditos exóticos. São nomes do quilate de Bollinger, Mumm, Louis Jadot, Chapoutier, Château Angélus e muitos outros da elite da vinicultura mundial.


São dois dias de evento aberto ao público. O ingresso para os dois dias, adquirido sem dificuldades no próprio local, custa 25 Euro, e ao comprar você recebe uma taça para degustação. Na saída, devolve-se a taça e recebe-se de volta a caução de 5 Euros. Portanto, por 20 Euros é possível degustar verdadeiras preciosidades, normalmente inacessíveis em razão do preço e da pequena quantidade produzida, e ainda adquirir muita informação e cultura sobre o mundo dos vinhos.
Além da degustação aberta ao público, são oferecidas master classes de harmonização, culinária e outros tems correlatos, pagos à parte. Certamente estas aulas serão melhor aproveitadas se o interessado possui um bom domínio do idioma francês. 
O festival é promovido todos os anos por Bettane & Dessauve, uma dupla de enólogos e críticos gastronômicos franceses que comanda um bem sucedido empreendimento nesta área, pois além do Le Grand Tasting editam uma série de livros sobre vinhos e uma revista de enologia por assinatura.
O evento parece ser ainda desconhecido da maioria dos viajantes e mesmo de muitos brasileiros interessados em enologia, e não deixa de ser uma experiência turística interessante, justamente porque o turista ali é quase um peixe fora d'água. 
O primeiro dia tem ares mais sérios, de encontro profissional. É marcante a presença de executivos do setor de gastronomia. Conversamos com um produtor que nos contou ter estado em São Paulo na semana anterior, negociando o fornecimento para o restaurante Fasano. Principalmente neste primeiro dia, pode-se notar a surpresa dos produtores ao se deparar com turistas na degustação, cujo público é quase todo de locais. Nada que se assemelhe a rejeição, contudo, e ajuda muito a quebrar o gelo chegar falando um pouco de francês e sobretudo demonstrar algum conhecimento sobre o produto ou a região do vinicultor. Tivemos oportunidade de apreciar degustações verticais de quase todos os grandes produtores de Champanhe, e de Château Angélus 2008 e 2009. Simplesmente espetacular.
Uma nota: Degustação vertical consiste em se provar duas ou mais safras de um mesmo vinho em seguida. Assim, pode-se perceber nitidamente as diferenças de características em cada ano de colheita, e sentir os efeitos do tempo, da experiência acumulada do vinicultor e mesmo da introdução de novas técnicas de vinificação na melhoria da qualidade do vinho. É uma eficiente e prazerosa técnica de estudo na enologia.
O segundo dia do festival é bem diferente. Faz lembrar o título do romance de Hemingway. Paris é uma festa! Já não se encontram os homens e mulheres de negócios e donos de restaurantes, o suprimento de garrafas já não precisa durar até o dia seguinte, e ocorrem cenas engraçadas, como a pequena multidão meio high saindo do salão de eventos e "invadindo" o carrossel e o saguão do Louvre rindo e falando alto, coisas que normalmente não se vêem ali. 
Em 2012, Le Grand Tasting se realizará de 30 de novembro a 1 de dezembro, no lugar de sempre, o carrossel do Louvre. 
O site com informações completas e possibilidade de compra antecipada de ingressos fica disponível  a partir de 17 de setembro:  http://www.grandtasting.com/index.html
O vídeo de divulgação a seguir  oferece uma boa idéia do evento.